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Calor extremo exige novos cuidados para aproveitar o verão europeu com segurança

OMS e ECDC reforçam orientações sobre hidratação, proteção solar, alimentação, mosquitos e banhos de mar após a Europa enfrentar ondas de calor precoces e maior pressão sobre os serviços de saúde.

Mulher aplica protetor solar no rosto de uma criança sob um guarda-sol na praia
Imagem: Foto de Kirt Edblom, disponibilizada pelo Wikimedia Commons sob licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 2.0 — CC BY-SA 2.0

As férias de verão representam uma oportunidade para viajar, frequentar praias, participar de festivais e aproveitar mais tempo ao ar livre. Entretanto, as temperaturas elevadas, a exposição ao sol, a conservação inadequada dos alimentos e a maior presença de mosquitos também criam riscos que podem ser reduzidos com medidas simples.

O alerta ganhou importância em 2026 após a Europa enfrentar uma onda de calor excepcionalmente precoce durante a segunda metade de maio. Segundo o Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas, partes da França, Inglaterra e País de Gales registraram temperaturas médias diárias superiores em mais de 10 °C ao padrão do período.

Portugal, Reino Unido, Irlanda e França também registraram recordes relacionados às temperaturas de maio. Em grandes áreas da Europa Ocidental, a sensação térmica atingiu níveis entre 35 °C e 40 °C durante o episódio. Copernicus

A Organização Mundial da Saúde afirma que o calor extremo deixou de ser um acontecimento raro na Europa. Ondas de calor estão começando mais cedo, terminando mais tarde e ocorrendo com maior frequência, exigindo que moradores e turistas incorporem a proteção contra temperaturas elevadas ao planejamento normal do verão. OMS Europa

Calor não representa apenas desconforto

Temperaturas elevadas podem provocar desidratação, exaustão térmica e insolação. O calor também pode agravar doenças cardiovasculares, respiratórias, renais e problemas relacionados à saúde mental.

Pessoas idosas, bebês, crianças pequenas, trabalhadores expostos ao sol, gestantes e indivíduos com doenças crônicas apresentam maior risco. Alguns medicamentos também podem alterar a hidratação, a transpiração ou a capacidade do organismo de controlar a temperatura.

Isso não significa que o paciente deva interromper um tratamento por conta própria. Quem utiliza medicamentos regularmente e possui dúvidas sobre os efeitos do calor deve consultar um médico ou farmacêutico antes de viajar ou durante períodos de temperaturas extremas.

A OMS recomenda evitar exercícios intensos e deslocamentos desnecessários durante as horas mais quentes. Sempre que possível, atividades ao ar livre devem ser realizadas pela manhã ou no final da tarde.

Permanecer na sombra e passar algumas horas do dia em um ambiente fresco pode reduzir consideravelmente a exposição acumulada. Centros comerciais, bibliotecas, centros comunitários e outros espaços climatizados podem funcionar como alternativas para pessoas que vivem em residências muito quentes. OMS Europa

Como manter a casa menos quente

Uma das medidas mais eficientes é impedir que o calor entre na residência durante o dia.

Persianas, cortinas e portadas devem permanecer fechadas nas janelas diretamente expostas ao sol. Aparelhos elétricos desnecessários também podem ser desligados, pois computadores, televisores, fornos e outros equipamentos liberam calor dentro do imóvel.

Quando a temperatura externa cair durante a noite ou nas primeiras horas da manhã, janelas podem ser abertas para renovar o ar. Entretanto, essa estratégia só funciona quando o exterior está realmente mais fresco do que o interior.

Ventiladores movimentam o ar e podem melhorar o conforto, mas não reduzem a temperatura do ambiente. Durante episódios de calor muito intenso, eles não substituem a hidratação, o acesso a locais frescos e outras medidas de proteção.

Dormir em um quarto superaquecido também dificulta a recuperação do organismo. Roupas de cama leves, banho fresco antes de dormir e ventilação noturna podem ajudar.

Água deve ser consumida antes da sede intensa

A OMS recomenda beber água regularmente durante os períodos de calor, sem esperar que a sede fique forte.

A necessidade varia conforme idade, atividade física, temperatura, alimentação e condições de saúde. Pessoas com restrição médica de líquidos devem seguir a orientação de seu profissional de saúde.

Bebidas alcoólicas podem aumentar o risco de desidratação e prejudicar a percepção dos sinais de calor. Bebidas muito açucaradas ou com grande quantidade de cafeína também não devem substituir a água.

Quem pretende passar várias horas em uma praia, caminhada, festival ou passeio turístico deve levar uma garrafa e verificar antecipadamente onde poderá reabastecê-la.

Crianças e idosos podem não pedir água com frequência suficiente. Familiares e responsáveis devem oferecer líquidos regularmente e observar alterações no comportamento, fraqueza, tontura ou confusão.

Reconhecer uma emergência pode salvar uma vida

Fraqueza intensa, dor de cabeça, náusea, tontura, cãibras, suor excessivo e sensação de desmaio podem indicar que o organismo está sofrendo com o calor.

A pessoa deve interromper a atividade, procurar um local fresco, retirar peças de roupa desnecessárias, resfriar o corpo e beber água em pequenos volumes, desde que esteja consciente e consiga engolir normalmente.

Sinais como pele muito quente, desorientação, delírio, convulsões ou perda de consciência podem indicar uma emergência médica.

Nessa situação, deve-se chamar imediatamente o serviço de emergência do país onde a pessoa está. Enquanto o atendimento não chega, ela deve ser levada para a sombra ou para um ambiente fresco e ter o corpo resfriado. Uma pessoa inconsciente não deve receber líquidos pela boca. OMS Europa

Também é importante nunca deixar crianças, idosos dependentes ou animais dentro de um veículo estacionado. Mesmo com uma janela parcialmente aberta, a temperatura interna pode aumentar rapidamente.

Proteção solar começa pela sombra

O protetor solar é importante, mas não deve ser a única forma de proteção.

A OMS recomenda medidas de proteção quando o índice ultravioleta atinge o nível 3 ou superior. O índice pode ser consultado em serviços meteorológicos e aplicativos de previsão do tempo. OMS — radiação ultravioleta

Evitar a exposição prolongada nas horas de maior radiação, procurar sombra, utilizar chapéu de aba larga, roupas adequadas e óculos com proteção contra raios ultravioleta reduz a quantidade de radiação recebida pela pele e pelos olhos.

Nas áreas expostas, pode ser utilizado protetor solar de amplo espectro com fator de proteção 30 ou superior. O produto deve ser aplicado em quantidade suficiente antes da exposição e reaplicado conforme as instruções do fabricante, principalmente depois de nadar, transpirar ou secar o corpo com uma toalha.

Nenhum protetor bloqueia completamente a radiação. Utilizar o produto não significa que uma pessoa pode permanecer indefinidamente ao sol sem consequências.

Dias nublados também exigem atenção. As nuvens podem reduzir parte da luz visível e da sensação de calor, mas não eliminam toda a radiação ultravioleta.

Crianças precisam de proteção especial porque queimaduras solares durante os primeiros anos de vida contribuem para danos acumulados na pele. Bebês devem permanecer, sempre que possível, fora da exposição solar direta.

Praias e piscinas exigem supervisão constante

A presença de salva-vidas não substitui a supervisão de crianças e pessoas que não sabem nadar.

Um adulto responsável deve permanecer próximo, sem depender apenas de boias, colchões infláveis ou brinquedos aquáticos. Esses objetos podem se afastar da costa com o vento e não substituem equipamentos de flutuação apropriados.

Antes de entrar no mar, é necessário observar bandeiras, avisos, correntes, ondas e orientações das autoridades locais. Praias aparentemente tranquilas podem apresentar correntes capazes de arrastar banhistas.

O consumo de álcool reduz a coordenação, a capacidade de avaliar riscos e o tempo de reação. Por isso, nadar após beber pode aumentar a possibilidade de acidentes.

Quem visitar rios, lagos ou praias desconhecidas deve evitar mergulhar sem conhecer a profundidade e as condições do fundo.

Feridas abertas e água do mar

O Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças alerta que temperaturas mais elevadas da água podem favorecer bactérias do gênero Vibrio em determinadas regiões costeiras.

As infecções continuam relativamente raras na Europa, mas podem ocorrer quando uma ferida aberta entra em contato com água contaminada ou quando uma pessoa consome mariscos crus ou insuficientemente cozidos.

Cortes, piercings recentes e outras lesões devem ser protegidos com curativos impermeáveis. Pessoas com feridas extensas podem evitar o banho de mar até a recuperação.

Depois do contato com água salgada, cortes e arranhões devem ser lavados com água limpa. Pessoas com doenças hepáticas, sistema imunológico enfraquecido ou outras condições de risco precisam ter atenção adicional. Guia de verão do ECDC

A Comissão Europeia também disponibiliza informações sobre a qualidade das águas balneares. Embora a grande maioria dos locais monitorados atenda aos requisitos mínimos, o visitante deve observar avisos temporários relacionados à poluição, algas ou outros problemas. Comissão Europeia

Alimentos estragam mais rapidamente no calor

Piqueniques, churrascos, acampamentos e longos deslocamentos de automóvel exigem maior cuidado com a conservação dos alimentos.

Bactérias podem se multiplicar rapidamente quando carnes, laticínios, ovos, peixes, refeições prontas e outros produtos perecíveis permanecem fora de refrigeração.

O aspecto e o cheiro não são suficientes para determinar se um alimento está seguro. Produtos contaminados podem parecer normais.

O ECDC recomenda lavar as mãos antes do preparo e do consumo, higienizar frutas e vegetais, cozinhar completamente carnes e ovos e manter os alimentos crus separados daqueles que já estão prontos.

Utensílios utilizados em carne crua não devem entrar em contato com saladas, pães ou alimentos cozidos sem uma lavagem adequada.

Em viagens, produtos refrigerados devem ser transportados em recipientes térmicos apropriados. Alimentos deixados por muito tempo dentro de um veículo quente devem ser descartados quando não for possível garantir sua conservação.

Mariscos devem ser adquiridos de fornecedores confiáveis e completamente cozidos. O calor, o limão ou outros temperos adicionados depois do preparo não tornam seguro um produto que foi armazenado incorretamente. Guia de verão do ECDC

Mosquitos representam risco crescente

Doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, chikungunya e febre do Nilo Ocidental, recebem maior atenção das autoridades europeias.

Dengue e chikungunya continuam fortemente relacionadas às viagens internacionais, mas casos de transmissão local têm ocorrido com maior frequência em áreas onde os mosquitos capazes de transportar esses vírus já estão estabelecidos.

Repelentes devem ser utilizados de acordo com as instruções do fabricante. Roupas que cubram braços e pernas, telas nas janelas, mosquiteiros e ambientes climatizados também podem reduzir as picadas.

Recipientes com água parada devem ser esvaziados, incluindo vasos, baldes, brinquedos, pneus e pequenos reservatórios em jardins ou varandas. Pequenas quantidades de água podem servir para a reprodução dos mosquitos.

Quem desenvolver febre, manchas na pele, dores musculares, dor nas articulações ou outros sintomas durante ou depois de uma viagem deve procurar orientação médica e informar os locais visitados. ECDC

Carrapatos também exigem atenção

Caminhadas em florestas, campos e áreas de vegetação podem resultar em contato com carrapatos.

Roupas compridas, calçados fechados e repelentes adequados ajudam a reduzir o risco. Depois de uma atividade ao ar livre, é recomendável examinar a pele, as roupas, as crianças e os animais de estimação.

Carrapatos encontrados presos à pele devem ser removidos corretamente, sem esmagar o corpo do animal ou aplicar substâncias improvisadas.

Caso apareçam febre, manchas, vermelhidão crescente ou outros sintomas depois de uma picada, a pessoa deve procurar avaliação profissional.

O risco varia entre países e regiões. Viajantes podem consultar as recomendações sanitárias do destino antes de realizar trilhas ou acampamentos.

Vacinas devem ser verificadas antes da viagem

O ECDC recomenda que adultos e crianças confiram se as vacinas de rotina estão atualizadas antes das férias.

Dependendo do destino, da duração e das atividades planejadas, podem existir recomendações adicionais. Algumas vacinas precisam de várias doses ou de um período para produzir proteção, por isso não devem ser deixadas para o dia anterior à viagem.

Medicamentos de uso contínuo devem ser transportados em quantidade suficiente, preferencialmente na embalagem original. A receita ou declaração médica pode ser necessária em determinados países.

Também é prudente conhecer o número de emergência do destino, verificar a cobertura do seguro e localizar antecipadamente serviços de saúde próximos ao local de hospedagem.

Pessoas vulneráveis não devem permanecer isoladas

Durante ondas de calor, familiares, amigos e vizinhos devem verificar as condições de pessoas idosas, com mobilidade reduzida ou que vivem sozinhas.

Uma chamada telefônica pode identificar alguém que está sem água, com a residência superaquecida ou apresentando confusão e fraqueza.

A OMS recomenda atenção especial a pessoas com doenças cardíacas, respiratórias, renais, diabetes e outras condições crônicas.

O risco não depende apenas da temperatura informada na previsão. Um apartamento no último andar, sem ventilação e diretamente exposto ao sol pode permanecer muito mais quente do que o ambiente externo durante a noite.

Trabalhar no calor exige pausas e planejamento

Profissionais da construção, agricultura, entregas, limpeza urbana, hotelaria, restauração e outros setores podem permanecer expostos durante várias horas.

Sempre que possível, as tarefas mais pesadas devem ser transferidas para períodos menos quentes. Pausas em locais sombreados, água acessível, roupas adequadas e acompanhamento dos colegas reduzem o risco.

Trabalhadores recém-chegados ou que retornam depois de um período afastado podem precisar de adaptação gradual ao calor.

Sintomas não devem ser ignorados para concluir um turno. Continuar realizando esforço físico depois do aparecimento de tontura, fraqueza ou confusão pode transformar um problema inicial em uma emergência.

Planejamento simples reduz grande parte dos riscos

O verão europeu de 2026 começou com sinais claros de que episódios de calor intenso podem ocorrer antes do período tradicionalmente mais quente.

Isso não significa que praias, viagens e atividades externas devam ser evitadas. A maior parte dos riscos pode ser reduzida com planejamento.

Consultar a previsão, verificar o índice ultravioleta, levar água, procurar sombra, conservar alimentos, utilizar repelente e respeitar os avisos das praias são medidas acessíveis.

O cuidado também precisa alcançar quem possui menor capacidade de se proteger sozinho. Crianças, idosos, pessoas doentes e trabalhadores expostos dependem frequentemente da atenção de familiares, responsáveis, empregadores e autoridades públicas.

O verão pode continuar sendo aproveitado, mas o calor extremo não deve ser tratado como apenas uma inconveniência passageira. Reconhecer os riscos e agir antes do surgimento dos sintomas é a maneira mais segura de evitar que as férias terminem em uma emergência médica.

Matéria original de euronoticias.eu
Data da publicação: 28/07/2026 - 23:44

Fontes consultadas