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Turismo de verão em Portugal entra no pico com procura elevada e cautela nos hotéis

Portugal permanece entre os destinos preferidos dos europeus e registra crescimento nas reservas de voos, mas parte da hotelaria prevê um verão menos forte do que em 2025 devido aos custos elevados e à incerteza internacional.

Praia da Rocha, no Algarve, com formações rochosas, mar e faixa de areia
Imagem: Foto de Jose A., disponibilizada pelo Wikimedia Commons sob licença Creative Commons Atribuição 2.0 — CC BY 2.0

A temporada de verão em Portugal entrou em seu período de maior movimento com perspectivas positivas para praias, hotéis, restaurantes e atrações turísticas. O país continua entre os destinos europeus mais procurados, embora empresários do setor estejam mais cautelosos do que nos últimos anos diante do aumento dos custos, das reservas realizadas mais perto da data da viagem e das incertezas econômicas e geopolíticas.

Um levantamento divulgado pelo Turismo de Portugal indica que 81% dos europeus pretendem viajar durante o verão ou o outono de 2026. O resultado é o maior registrado desde 2020 e representa um aumento de quatro pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Portugal aparece na quinta posição entre os países preferidos pelos viajantes europeus, empatado com a Alemanha. Espanha e Itália ocupam as primeiras colocações, confirmando a preferência do público por destinos do sul da Europa.

As viagens dentro do próprio continente representam 64% das intenções. Outros 26% dos entrevistados pretendem passar as férias dentro do país onde vivem. Julho e agosto permanecem como os meses mais procurados, enquanto o turismo de sol e praia lidera as motivações de viagem, escolhido por 30% dos participantes. Turismo de Portugal

Férias mais longas, mas com atenção aos gastos

O levantamento mostra que uma parcela importante dos turistas não pretende realizar apenas viagens curtas. Aproximadamente 40% dos europeus planejam permanecer entre sete e doze noites fora de casa, com orçamentos geralmente situados entre €1.500 e €2.500.

O valor inclui despesas como hospedagem, alimentação, transporte e atividades realizadas no destino. O alojamento representa, em média, 31% do orçamento da viagem, enquanto comidas e bebidas respondem por outros 23%.

Esses números favorecem destinos portugueses capazes de oferecer diferentes experiências na mesma região. No Algarve, por exemplo, o visitante pode combinar praias, passeios marítimos, restaurantes e atividades culturais. Lisboa e Porto concentram turismo urbano, gastronomia e patrimônio histórico, enquanto Madeira e Açores atraem viajantes interessados em natureza, trilhas e atividades ao ar livre.

O desafio para as empresas será convencer os turistas a permanecer mais tempo e gastar também fora das áreas tradicionalmente mais visitadas. Pequenos municípios, negócios familiares e regiões do interior podem se beneficiar quando o fluxo turístico é distribuído de maneira mais equilibrada.

Reservas internacionais aumentaram

Portugal também se beneficiou de uma mudança no comportamento dos turistas provocada pelas tensões no Oriente Médio e em partes do Mediterrâneo oriental.

Dados reunidos pelas empresas de análise Sojern e Mabrian mostravam, no início de abril, um crescimento anual de 21% nas reservas de voos para Portugal durante a temporada de primavera e verão. As pesquisas por hotéis no país haviam aumentado 16%.

Parte dos viajantes passou a procurar destinos considerados mais seguros, previsíveis e de fácil acesso dentro da Europa. Portugal e Espanha receberam uma parcela dessa procura, principalmente entre famílias e turistas que desejavam evitar regiões próximas a conflitos ou possíveis interrupções no transporte aéreo. Reuters

O aumento das reservas não garante, entretanto, que todos os hotéis e regiões portuguesas terão resultados superiores aos de 2025. A procura pode se concentrar em determinadas ilhas, cidades e zonas costeiras, enquanto outros destinos enfrentam níveis mais baixos de ocupação.

Além disso, uma pesquisa de voo ou hotel não representa necessariamente uma compra concluída. Preços mais altos, alterações nas condições econômicas e acontecimentos internacionais ainda podem levar o viajante a reduzir a duração das férias, mudar de região ou adiar a reserva.

Madeira, Açores e Algarve lideram

Um inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal mostrou diferenças consideráveis entre as regiões.

Para julho, metade dos empreendimentos consultados nos Açores indicava reservas já contratadas equivalentes a aproximadamente 74% da capacidade. Na Madeira, o percentual era de 65%, enquanto o Algarve registrava 61%.

No momento da pesquisa, realizada entre 27 de abril e 17 de maio, as regiões Centro e Alentejo apresentavam números inferiores, de aproximadamente 18% e 16%, respectivamente.

Esses valores não representam a taxa final de ocupação. Muitos turistas reservam quartos durante as semanas ou os dias anteriores à viagem, especialmente quando procuram promoções ou acompanham as previsões meteorológicas.

O crescimento das reservas de última hora torna mais difícil prever o resultado completo da temporada. Um hotel que apresentava ocupação baixa em maio ainda pode receber uma quantidade considerável de clientes em julho ou agosto.

Madeira, Açores e Algarve possuem vantagens particulares durante o verão. As ilhas oferecem temperaturas relativamente moderadas, paisagens naturais e forte procura internacional. O Algarve concentra grande capacidade hoteleira, praias conhecidas e conexões com importantes mercados emissores, principalmente o Reino Unido.

Hoteleiros estão menos otimistas

Apesar da procura elevada, 28% dos hoteleiros consultados pela Associação da Hotelaria de Portugal afirmaram esperar uma temporada pior em termos de ocupação e duração média das estadias quando comparada com o verão de 2025.

A confiança média dos empresários no desempenho do turismo português em 2026 caiu de 7,4 pontos, medidos em janeiro, para 6,97 pontos em maio, considerando uma escala de um a dez.

Entre os fatores que preocupam o setor estão a instabilidade internacional, o aumento dos custos operacionais, a capacidade dos aeroportos, os preços dos transportes e a possibilidade de os consumidores reduzirem seus gastos.

Ao mesmo tempo, 13% dos participantes esperavam aumentar o preço médio das hospedagens. Essa combinação mostra que alguns hotéis podem tentar compensar um crescimento menor no número de hóspedes por meio de diárias mais caras.

A estratégia possui limites. Caso os preços subam excessivamente, turistas podem reduzir o número de noites, escolher alojamentos mais baratos ou procurar outros países. Portugal disputa visitantes com Espanha, Grécia, Itália, Croácia, Turquia e destinos do norte da África.

A relação entre preço e qualidade será especialmente importante para famílias que precisam pagar simultaneamente por passagens, alimentação, alojamento e atividades para várias pessoas. ECO

Dados anteriores ao verão mostram crescimento

Os números mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística antes do início do pico do verão indicavam expansão da atividade turística.

Em maio de 2026, os estabelecimentos de alojamento turístico receberam 3,3 milhões de hóspedes, crescimento de 3,9% em comparação com o mesmo mês de 2025. O total de dormidas alcançou oito milhões, aumento de 2,8%.

Os proveitos totais chegaram a €755,7 milhões, resultado 5,8% superior ao registrado um ano antes. Os proveitos diretamente relacionados ao alojamento atingiram €575,1 milhões, com crescimento de 4,8%.

As dormidas realizadas por residentes em Portugal aumentaram 7,6%, alcançando 2,1 milhões. Entre os visitantes estrangeiros, o crescimento foi mais moderado, de 1,1%, totalizando 5,9 milhões de dormidas.

Madeira e Grande Lisboa apresentaram as maiores taxas líquidas de ocupação-cama em maio, com 67,6% e 62,3%, respectivamente. Centro e Alentejo registraram os níveis mais baixos, com 33,3% e 38,3%. Instituto Nacional de Estatística

Os dados mostram que o turismo chegou ao verão em crescimento, mas com ritmos diferentes entre receitas, visitantes nacionais e procura estrangeira. A arrecadação dos empreendimentos avançou mais rapidamente do que o número de dormidas, refletindo preços mais elevados e outros gastos realizados pelos hóspedes.

Turismo beneficia diferentes setores

O movimento de verão não favorece apenas os hotéis. Restaurantes, cafés, supermercados, empresas de transporte, lojas, museus, parques aquáticos, operadores marítimos e serviços de aluguel também recebem uma parcela importante dos gastos dos visitantes.

Municípios costeiros costumam registrar forte aumento temporário da população. Esse crescimento gera oportunidades de trabalho, mas também aumenta a pressão sobre estacionamento, limpeza urbana, coleta de resíduos, abastecimento de água e serviços de emergência.

O impacto varia conforme o perfil do turista. Visitantes que permanecem vários dias e consomem em estabelecimentos locais tendem a produzir um benefício econômico maior do que excursões rápidas concentradas em poucos pontos.

Outro desafio é reduzir a sazonalidade. Muitas empresas acumulam grande parte da receita anual durante julho e agosto, mas enfrentam procura reduzida no restante do ano. Destinos que oferecem eventos, turismo cultural, gastronomia, natureza e atividades esportivas podem atrair visitantes também durante a primavera, o outono e o inverno.

Portugueses também ajudam a sustentar o setor

O crescimento das dormidas de residentes registrado em maio mostra que o mercado interno continua relevante.

Embora Portugal dependa fortemente de turistas estrangeiros, visitantes nacionais ajudam a sustentar regiões menos conhecidas internacionalmente e empreendimentos de menor porte. O turismo interno também pode reagir mais rapidamente a promoções, feriados e condições climáticas favoráveis.

Entretanto, o aumento do custo das férias limita parte dessa procura. Famílias portuguesas precisam considerar os preços dos combustíveis, das refeições e das hospedagens, além da perda de poder de compra provocada pela inflação acumulada.

Para competir pelo público nacional, hotéis e alojamentos podem oferecer pacotes de menor duração, descontos para reservas diretas e condições específicas para famílias. A flexibilidade para cancelamento e alteração das datas também passou a ter maior importância.

Verão positivo, mas sem garantia de novo recorde

Os indicadores disponíveis apontam para uma temporada movimentada em Portugal. O país permanece entre os destinos preferidos dos europeus, registrou crescimento nas reservas internacionais e chegou ao verão com aumento no número de hóspedes, dormidas e receitas.

Ainda assim, o setor evita prever automaticamente um novo recorde. A procura está distribuída de forma desigual, parte das reservas acontece na última hora e os custos das empresas continuam elevados.

As regiões mais consolidadas, como Algarve, Madeira, Açores, Lisboa e Porto, devem continuar recebendo grande fluxo de visitantes. O principal desafio será transformar esse movimento em receitas para empresas e trabalhadores sem comprometer a experiência dos turistas e a qualidade de vida dos moradores.

O resultado completo da temporada só poderá ser avaliado quando forem divulgados os dados de julho, agosto e setembro. Até lá, a expectativa predominante é de um verão forte, mas marcado por maior cautela do que nos anos imediatamente anteriores.

Matéria original de euronoticias.eu
Data da publicação: 28/07/2026 - 22:55

Fontes consultadas